Desaparecidos e desaparecidas
Carlos, Manuel, Braga estão desaparecidos.
Calça clara, olhos assim.
Mara, Maria e Ana também.
Saia clara cabelos assim.
Amestedan, Paulo sem camisa;
Olga e Roberto olham pela janela;
António, Olívio e João têm suas fotos nos jornais;
Aparecida, Maia e Jandes escutam rádio;
Valdemar espera no banco da estação.
A cama vazia não pode ser desarrumada,
Nem desmanchada
Nem ocupada
Nem chorada
Vera, Rosária e Helena estão desaparecidas.
Altura e peso assim.
Bárbara e Rômulo também, de manhã e chovia;
Kely, Ivan e Mauro ainda havia sol;
Waldemar, Mauro, estavam sós e na esquina;
Álisson, Renata e Raquel desceram do ônibus.
Helena, Jeide e Juliana foram a igreja.
Tadeu Jair e Gleison não se conheciam.
A cama vazia não pode ser encostada,
Nem venerada
Nem arrumada
É só uma cama vazia
Ninguém chora, quem chora somente suspira.
domingo, 26 de setembro de 2010
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